Como é o seu processo de criação?



Mesmo que você não trabalhe com Arte, é muito provável que tenha um processo criativo bem característico seu. É, certamente, muito mais comum conseguirmos identificar o processo criativo dos artistas, dos escritores, dos músicos, mas esse processo se manifesta em inúmeras outras áreas, inclusive, em questões corriqueiras do dia a dia, tendo se falado muito ultimamente em criatividade em ambientes corporativos, empresariais, etc.


Muito mais habitual pensarmos em processo criativo quando se está com a tela pronta e as tintas espalhadas em cima da mesa em um ateliê, mas na verdade ele inicia um pouco antes de você começar efetivamente a criar. Você já ficou, por exemplo, horas navegando na internet à procura de alguma receita especial para o final de semana? Você ja passou dias talvez refletindo sobre algum problema que nada tem a ver com arte até, de repente, encontrar um caminho para a solução? Você já percebeu como muitas das nossas melhores idéias vem, por exemplo, quando estamos no chuveiro ou quando estamos distraídos em atividades que, em tese, não tem nada a ver com atividades artísticas? Então… tudo isso faz parte do nosso processo criativo!


De forma bastante simplificada, uma visão, um cheiro, uma conversa, uma sensação tem o poder de fazer uma ideia surgir em nossa mente. Essa ideia surge, percorre um caminho de desenvolvimento e, finalmente, torna-se algo novo para ser apresentado ao mundo. Em outras palavras, surge alguma ideia abstratamente em nossas mentes, primeiramente nesse mundo puramente das ideias, dos pensamentos, que amadurece e, finalmente, pode ser de alguma forma concretizada em ações que irão resultar em alguma coisa. Outras vezes essas ideias parecem passar completamente despercebidas por nós, escorregam suavemente para longe de nossa percepção, até serem captadas de formas diferentes, em alguma outra oportunidade, por alguma outra pessoa. É quando dizemos: "como eu não pensei nisso primeiro?". Ou seja, as ideias surgem de informações que estão a disposição de todo mundo, o tempo todo!


A forma como cada indivíduo capta essa idéia e a cultiva para chegar em um resultado final é bastante particular. Cada pessoa percorre um determinado ‘caminho’, por assim dizer, a qual chamamos de processo de criação.


De modo geral, muitas pessoas já parecem nascer extremamente criativas. Não podemos negar. A criatividade aflora em certas pessoas quase que como um "dom divino” ou algo sobrenatural, e idéias maravilhosas surgem dessas pessoas a todo momento. Por outro lado, é certo também que todos nós podemos exercitar sermos mais criativos usando essas mesmas informações que estão disponíveis no mundo para todos, o tempo todo. Isso mesmo: podemos aprender a seguir determinadas etapas que estimulem novas idéias, novas obras de arte, novas melodias, novas receitas, novos jogos, etc.

Existem algumas maneiras conhecidas de exercitarmos nossa criatividade que podemos abordar em um outro momento. Hoje eu queria apenas falar um pouco mais sobre como esse processo criativo ocorre, pois ter essa consciência pode trazer uma maior profundidade e entrega para suas próprias criações, sejam elas de que áreas forem, inclusive para o campo artístico, uma vez que esse é um canal dedicado a artistas, mais especificamente artistas visuais.


Assim, é possível compreender esse processo em 3 etapas distintas: saturação, produção e liberação. Outros autores dão nomes diferentes a essas etapas. O comediante e criativo por excelência Murilo Gun, por exemplo, as chama de input, output e feedback. Outros, ainda, acrescentam mais duas etapas nesse processo, que seriam o insight - aquela “luz” que surge de repente em nossa mente, e a incubação - que seria um tempo indeterminado e variável de pessoa para pessoa, no qual, as vezes, guardamos essas idéias em nosso inconsciente para com ela trabalharmos em algum momento futuro. Mas, de modo geral todos os autores concordam com essas 3 etapas do processo de criação:


Saturação

Momento inicial, quando a idéia chega até você. Você fica animado e ansioso para começar a explorar e desenvolver essa idéia. Você pensa sobre ela constantemente, você pesquisa, passa horas no Pinterest ou no Google, ou mesmo debruçado sobre livros, conversando com as pessoas a respeito dessa ideia. Essa é a fase na qual você se torna quase que uma esponja, absorvendo a idéia e tudo aquilo que dela deriva (novas idéias surgem a partir de idéias que surgem a partir de outras idéias e assim por diante).


Produção


Passada a fase de saturação, aquela intensidade inicial ou euforia, dá lugar ao momento de experimentar tudo aquilo que foi absorvido. É chegado a hora de produzir. A intensidade inicial se acalma e agora você não está mais pensando sobre a idéia obsessivamente ou da mesma maneira. De alguma maneira você sabe que ela está evoluindo em sua mente. Essa pode ser a fase mais difícil do processo. Muitas vezes é aqui que acontecem os famosos “bloqueios” e, por isso, é tão importante ‘colocar a mão na massa’ e produzir, experimentar, testar, arriscar, esboçar, enfim, tirá-la do plano abstrato e passá-la para o plano concreto. Se for uma pintura, é hora de colocá-la na tela. Se for um bolo, é hora de juntar os ingredientes e assá-lo.


Liberação


Finalmente, a sua ideia está pronta para ser ’liberada’ para o mundo. É hora de torná-la pública! Você dedicou tanto tempo, consciente e subconsciente, em seu cultivo a partir de uma semente de ideia, que ela floresceu em uma criação. Mas agora é hora de se expor, de revelar sua criação e de saber o que outras pessoas pensam dela.


Muitas pessoas torcem o nariz para as críticas, para o feedback, mas eles são extremamente importantes. Sempre. É à partir deles que nós conseguimos evoluir em nossas criações, lapidar nossas técnicas, melhorar nosso estilo, desenvolver nossas habilidades. É por isso que eu adoro as famosas ‘análises de portfólio’! É muito bom quando nos permitimos entregar nosso trabalho para alguém disposto a examiná-lo com atenção e carinho, nos passando suas considerações.


Bom lembrar que essas fases não estão exatamente delimitadas. Não existe uma linha rígida que as separa. Muitas vezes elas ocorrem se sobrepondo uma a outra, mesmo assim, quando conseguimos prestar atenção em como elas acontecem, quando conseguimos identificá-las, parece ficar mais fácil lidar com elas.


Você já parou para pensar sobre o seu processo criativo? Você consegue identificar, em seu dia-a-dia, quando e como ele ocorre? Você já experimentou ficar mais atento a cada uma das etapas do seu processo criação?






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