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Vida livre de artista… será mesmo?

 

Dizem por aí que artista é tranquilo, leva a vida numa boa, não tem stress, faz exatamente aquilo que quer, vive dentro de sua cabeça imaginando e criando, sem compromissos, sem responsabilidades,… com total liberdade.

 

É claro que parte disso é bem verdade! Artistas são por natureza almas “rebeldes”, seres criativos… e, se assim não fosse, que graça teria ser artista! Mas, como nós bem sabemos, isso é apenas uma pequena parte da realidade.

 

Sim, claro que temos a liberdade de pintar, escrever ou compor o que bem quisermos; mas, por outro lado, se nossa arte for pessoal demais, íntima demais, fica um tanto sem sentido para alguém que não seja nós mesmos. 

 

Eu explico. Nem sempre o artista consegue ser tão livre assim, especialmente quando consideramos o artista como um outro profissional qualquer que, assim como outro profissional qualquer, as vezes é necessário que faça algumas concessões.

 

O que? Que absurdo! Como fica a liberdade?

 

Bem, a impressão que se tem é que, ao longo da história, criou-se uma imagem do artista como um rebelde contra-cultural ou um ser que caminha por fora das regras da sociedade. E, certamente, como artistas e seres criativos que somos, nosso trabalho envolve bastante de “quebrar regras” e “esticar os limites”, mas isso não é tudo!

 

Se precisamos de alguém que compre nossa arte ou nossas criações, elas precisam ser acessíveis ao gosto daquele que paga por elas, não é mesmo?

 

Calma!! Eu não estou dizendo que você, enquanto artista deve vender a alma ao diabo ou prostituir os seus princípios, ou mesmo prostituir sua arte. O que eu estou querendo dizer e, acredite em mim, eu digo isso com dor no meu coração, é que as vezes, no mundo real, para viver de arte ou ter um espaço no mercado de arte, é preciso que outras pessoas além de nós mesmo gostem daquilo que estamos produzindo e, por esta razão, as vezes precisamos ser um tanto flexíveis em relação à nossa própria arte.

 

Só uns exemplos de algumas situações que já aconteceram comigo e que, num primeiro momento me deixaram um pouco chateada, mas que eu precisei entender para fechar a venda: Uma vez eu precisei pintar um trabalho bastante parecido com um que eu já tinha, por que o comprador precisava que a obra tivesse uma determinada cor; outra vez precisei vestir (isso mesmo, vestir!) um trabalho nu para que a compradora, extremamente religiosa, pudesse adquirí-lo. E quer saber? Eu não morri por conta disso. Coisas desse tipo as vezes acontecem e é preciso que você aprenda a lidar com elas.

 

Isso acontece com músicos e bandas também. Por exemplo, a banda lança um album que os fãs amam e no ano seguinte, o próximo album é um fracasso por que ele saiu completamente fora daquilo que os fãs esperavam. E pasmem, Bob Dylan também desagradou profundamente seus fãs quando começou a aparecer em seus shows com uma guitarra elétrica!

 

Bom, para finalizar… a vida do artista é um pouco mais complicada do que aparenta ser. Ou, em outras palavras, nem sempre a vida real corresponde àquela imagem de ser absolutamente  livre que criou-se do artista ao longo do tempo. Muitas vezes, vender muito, ser bem sucedido nas artes e ganhar dinheiro fazendo aquilo que se ama, pode envolver alguma dose de flexibilização em relação a nossa própria arte.

 

Pense nisso. Mas se você não concorda comigo ou tiver alguma outra opinião sobre o assunto, me conte! Eu adoraria ouvir você!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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