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Marcus Jacobina: "o trabalho do artista é um constante fazer"

November 25, 2019

 O artista em seu ateliê (foto de @damiandimitrov)

 

 

 

 

Você já teve o prazer de se deparar com um artista que de tão criativo e multitalentoso, tudo o que faz, faz extremamente bem? Assim é Marcus Jacobina. Natural de Salvador, Bahia, mas vivendo e trabalhando em São Paulo desde 2003. Típico de pessoas altamente criativas, ele tem formações acadêmicas variadas:   Publicidade e Propaganda, Psicologia e ainda Artes Plásticas.

Sua caminhada nas Artes começou bastante cedo, quando, ainda criança se apaixonou pelo desenho espontâneo. Atualmente sua pesquisa pictórica é rica e abrangente, mas seu interesse pelo Expressionismo Abstrato fica bastante claro em suas obras. Suas influências são múltiplas assim como suas fontes de inspiração. Grande apaixonado pelas cores, define seu trabalho como gestual e intuitivo: um convite deliberado e intencional para que o expectador perceba que a intensidade de suas emoções são a matéria prima de seu trabalho...

Mas vamos deixar que ele mesmo nos conte melhor tudo isso...


1.Quem é Marcus Jacobina? Como vc próprio se definiria para as pessoas que ainda não o conhecem?

 

Sou um artista apaixonado pelo que faz.

 

2.Como e quando a Arte entrou em sua vida?

 

Acho que sempre tive esse olho pro estético, sempre fui atraído pelo estético e pelo belo e outro dia, tentando rastrear na minha memória uma explicação, até porque acho que existem várias possibilidades de respostas para esse tema, pra essa minha preferência pelo retrato, lembrei de uma história muito antiga, engraçada até, quando eu acompanhava a minha mãe na casa de umas amigas que ela tinha. Era uma casa cheio de moças jovens, e aquele mundo feminino tão rico e ao mesmo tempo misterioso me encantava. Lembro que enquanto ela ficava conversando, eu muitas vezes ficava em um canto folheando revistas de moda, porque a mãe dessas moças era costureira e elas tinham em casa muitas revistas. Então quando criança quando eu comecei a desenhar retratos, rostos, figuras humanas, eram tentativas de repetir, de memória, no papel, a imagem daquelas mulheres bonitas que eu via. Eu desenhava o tempo todo e fui me tornando o menino que fazia os trabalhos de arte dos amigos, dos primos, do irmão... A empregada, a tia, a prima vinham pedir pra desenhar uma roupa... e embora depois minha vida tenha mudado muito, naquela época todo mundo já apostava que eu seria artista plástico.

 

Dando um salto no tempo, porque entre a minha primeira graduação e o meu engajamento nas artes plásticas muita coisa aconteceu, posso dizer que a psicanálise me ajudou a resgatar, a me reconectar com essa parte de mim mesmo. Tem um cara, um psicanalista inglês chamado Thomas Ogden que diz em um dos seus textos que um dos objetivos de um processo de análise é permitir que o indivíduo resgate partes perdidas do próprio self (self seria algo como a essência mais profunda do sujeito). Creio que meu processo de análise foi muito bem-sucedido, pois foi durante esse percurso de autoconhecimento que me senti capaz de apostar e bancar o meu próprio desejo. O desejo de ser e de me tornar aquilo que sempre quis ser: um artista.

 

Lembro que no primeiro dia de aula na escola de arte minha mão tremia durante a execução do primeiro trabalho de tanta ansiedade e emoção. Mas daquele momento em diante a minha vida mudou. No final daquele semestre o meu professor na ocasião me disse: “Voa!”


 

3. Em que consiste o seu trabalho artístico hoje? 

 

O trabalho do artista é um constante fazer. Mas também é pesquisa, é estudo, observação. É preciso estar com os sentidos muito abertos para perceber, sentir, captar. 

 

Atualmente meu trabalho se divide em duas linhas principais: os retratos e os abstratos. Nas duas linhas é possível perceber as influências do movimento expressionismo abstrato, que foi muito forte em meados do século XX nos Estados Unidos e que teve como proeminentes representantes Jackson Pollock, Willem De Kooning, Helen Frankenthaler, Mark Rothko entre outros. Prezo muito a liberdade de expressão, o gestual, a mistura de materiais diversos, a constante experimentação que se abre para novas possibilidades de realizar um trabalho.

 

Comecei uma série de retratos masculinos, os Sad Boys, bem no início da minha carreira e que foram se transformando ao longo de minha trajetória. Os primeiros Sad Boys foram feitos em lápis de cor aquarelado, depois comecei a misturar monotipia e giz pastel... atualmente não há limite para a criatividade...

 

Fiz também uma série de retratos femininos, que chamei de Sonhadoras, e quase ia me esquecendo das minhas queridas Fridas (Young Fridas, Frida Cabocla) que são uma versão muito pessoal da figura icônica que foi a artista Frida Kahlo. Eu me interessei muito pela forma como a Frida Kahlo se vestia utilizando cores fortes.

 

Esses retratos são também como uma espécie de autorretratos, já que o artista sempre coloca algo que é muito seu na obra. Ao mesmo tempo, penso que, no momento em que o expectador depara com um retrato que lhe provoca um impacto positivo ou negativo está de alguma forma como a se olhar num espelho e a vislumbrar, descobrir ou reconhecer algum aspecto seu. Enfim, divagações....

 

Nos trabalhos abstratos atualmente comecei a usar óleo e óleo misturado a outros materiais. Acho que as telas “Encontro” e “Insensatez” são exemplos muito significativos desta fase atual.

 

 

 

4. Nos fale um pouco sobre seus mestres, suas influências e inspirações.

 

Faço Artes Plásticas na Escola de Artes Panamericana e desde o início tive muita sorte de encontrar em meu caminho excelentes profissionais: Blagojco Dimitrov, além de possuir um grande conhecimento e criatividade, é um ser humano que me inspira por sua história de vida, de muita força e superação, de alguém que apesar das grandes adversidades enfrentadas nunca perdeu a esperança, sempre disponível e generoso. Marcos Fajardo Marinheiro, sempre muito exigente com a composição, a técnica e o acabamento das obras. Georg Vine Bolt, o primeiro a me encorajar a pintar em telas cada vez maiores. Marcelo Maria de Castro, o lúdico, a fantasia e o devaneio, fundamentais para o desenvolvimento criativo do artista. Fora da escola tive o privilégio de aprender com os mestres Marcus Cláudio de Caldas, um verdadeiro titã na arte do retrato, e George Mend.

 

Pra falar das minhas influências eu teria que te contar a minha vida inteira... rsrs. Muita gente daqui e de fora me inspira, às vezes coisas corriqueiras, uma mistura de cores em alguma imagem que vejo de relance, uma viagem, uma memória, uma emoção que esteja vivendo no momento.

 

Sou apaixonado por cor. Sempre gostei de arte figurativa, até que um belo dia acordei apaixonado pelo abstracionismo. Descobri Mabe! Depois vieram outros. Minhas influências são múltiplas... Picasso, sou apaixonado. Carybé, Mabe, Modigliani, De Kooning (estou pesquisando muito) e Gerard Richter, mas tem muito mais gente.

 

 

 

5. Como foi sua jornada para chegar até aqui? Quais foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Arte?

 

Viver de arte ainda não vivo... ainda trabalho em consultório, mas confesso que desde que comecei tenho tido um bom fluxo de vendas, e tenho percebido um crescente interesse no meu trabalho.  

 

Desde que comecei, encaro o trabalho de artista plástico com muita seriedade. Pra mim nunca foi um hobby. Sempre olhei pra isso como um trabalho.

 

De verdade, eu só posso mesmo é agradecer por tudo que tem acontecido, pelas boas oportunidades que tem surgido, por ter meus trabalhos em exposições.

 

6. Que conselho que vc daria para alguém que está apenas começando no mundo das Artes? Ou o que vc gostaria que alguém com mais experiencia tivesse lhe dito quando era bem mais jovem?

 

É difícil generalizar. Acho que cada caso é único. Hoje temos um panorama muito diferente do que tínhamos há 20, 30, 50 anos no mercado de arte. Tem muito mais gente conseguindo mostrar o seu trabalho graças as redes sociais, e isso cria mais competitividade e uma dificuldade ainda maior que é a questão da originalidade. 

Para o jovem que está começando eu diria: Seja você mesmo, estude e pratique o máximo de tempo que puder, porque arte também é trabalho! Com persistência conseguirá atingir seu objetivo.

 

7. O que é ser artista para vc?

 

Ser artista para mim é o centro da minha vida, é estar vivo, é a minha identidade. É algo profundamente intenso e verdadeiro que busco compartilhar com as pessoas através do meu fazer artístico. É algo extremamente visceral, e isso tem a ver também com o impacto que eu posso causar na vida das pessoas, porque eu sempre penso que aquela obra que eu vendi para aquela pessoa vai ficar na casa dela, ou no escritório, ou em algum lugar significativo pra ela. E já que uma parte minha vai habitar a vida de outra pessoa, que seja então algo bom, algo inspirador, algo que promova transformação no sentido positivo da palavra.

 

8. Nos conte um pouco mais sobre seus projetos, seus planos ou mesmo sonhos.

 

Todo artista quer viver de sua arte e ser reconhecido, ter sucesso. Eu quero ir longe, quero muito e tudo que eu puder alcançar. Então essa é minha meta primordial. Quero crescer muito, expor fora do Brasil e já estou me articulando pra isso. A gente não pode ficar esperando as coisas acontecerem. Há coisas que a gente precisa criar a oportunidade, ir atrás, batalhar. Se depender de mim vai acontecer. Vontade e garra não me faltam.

 

 

 

 

 

 

Para conhecer mais sobre o artista e suas obras fique aqui

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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