Ricardo Baroni: "meu trabalho consiste em compartilhar a minha percepção, ressignificar, buscar


Dança, design de interiores, fotografia, poesia, música, gastronomia, artes gráficas, desenho técnico, artesanato e folclore!! Com um repertório variado desses, não é sem razão que o artista Ricardo Baroni Squárcio, ou apenas Ricardo Baroni, como é mais conhecido, consegue um resultado tão rico em cada uma de suas obras.

Natural de Belo Horizonte onde vive e trabalha, suas obras autorais são de linguagem fotográfica. Seus registros fotográficos fornecem a imagem como matéria prima para seu processo artístico, suas pesquisas, experimentos e criações através da edição digital, resultando em obras únicas, carregadas de sensibilidade e harmonia visual.

Conseguimos conversar com o artista de tendência multiartística que nos encantou dando diversos detalhes sobre sua personalidade, seu processo de criação, carreira e seus planos para o futuro. Confira abaixo..

Quem é Ricardo Baroni? Me fale um pouco sobre vc, sua personalidade, coisas que gosta..

Vivo hoje um contentamento e gratidão de vivenciar a arte mais efetivamente. Em um desalinho com os padrões, trâmites e sistemas deste mundo, onde vivo entre uma busca e superação intensa, sempre tive a arte como necessidade e forma de acalento. De forma bem sucinta, digo que sou um ser discreto, inquieto, observador, perseverante e reservado. Sempre fui atraído bela beleza, e a percepção desta, se torna cada vez mais mutante, subjetiva e abrangente. Gosto de música, de cozinhar, caminhar, colecionar e folhear livros, garimpar objetos de rua, visitar exposições, espaços culturais e independentes de artes, praças, espetáculos, de ambientes acolhedores, das coisas sutis, da sensibilidade, de apreciar...

No que exatamente consiste seu trabalho hoje e como ele amadureceu para chegar até aqui?

Para o momento, digo que o meu trabalho consiste em compartilhar a minha percepção, ressignificar, buscar beleza e valores intrínsecos em objetos e lugares, na paisagem comum. Ele evolui a partir de uma arte totalmente digital, onde em contato massivo com as imagens, começo a identificar ali o caminho mais preciso para minha arte, em um processo de trabalho com criação, apropriação e experimento. O amadurecimento, surge de maneira espontânea, gradativa e essencial, onde a busca e a necessidade cresce e passo a utilizar o meu olhar e os meus registros como matéria-prima, desta maneira denominando meu trabalho de linguagem fotográfica.

Quando foi exatamente que você encontrou a Arte ou a Arte te encontrou? Fale um pouco sobre suas influências, suas fontes de inspiração, seus mentores, suas musas,..

Desde sempre fui inclinado à arte. Ela sempre fez parte do meu trajeto, no entanto, a arte que faço hoje teve um início tardio, acredito que foi necessário esperar pela vivência de várias experiências e situações para alcançá-la, como que um processo de aprendizado, lapidação e amadurecimento. Ela também deriva de anos de trabalho e aquisições dentro das artes gráficas. Mas sempre criando, experimentando a diversidade com marcenaria, moldando, rabiscando, às vezes escrevendo, e por muitos anos atuei como bailarino em grupos de dança folclórica. Ainda passei por escolas de desenho de arquitetura, design de interiores, design gráfico e gastronomia. Acredito em uma mentoria espiritual, sinto meu trabalho fortemente autoral, onde não consigo criar uma relação exterior e também não percebo influências, mas sim, as inspirações, onde elas atuam de maneira sútil.

Artistas de um modo geral não gostam muito de falar sobre seus processos criativos por que podem ser realmente muito subjetivos. Mas se vc pudesse contar alguma particularidade do seu processo criativo ou de como ele funciona, o que seria?

Sinto tudo um processo longo de construção, sintonia, intuição e força, uma “Força Estranha”. No mais é muito imagético e afetivo! É enxergar algo na paisagem, ao redor, é perceber possibilidades, é experimentar, é harmonizar.

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Imagino que além das conquistas e satisfações ao longo da carreira, os desafios também lhe acompanharam. Quais foram seus grandes desafios e quais vc diria que são os grandes desafios dos artistas de um modo geral aqui no Brasil?

Uma vez determinado a seguir como artista, fazer um caminho profissional e consistente, encontro um processo árduo e moroso, uma luta solitária e incompreendida, onde as oportunidades vão existir, mas oscilam, as dúvidas e incertezas sobre o caminho surgem, e a perseverança é sustento para a continuidade.

Continuando de maneira sucinta, e não muito a vontade para falar sobre o assunto da arte no Brasil, também evitando redundância sobre o tema, penso que existe uma questão de aptidão do país, que a frente da arte estão muitas outras predileções. Algo que percebo como grande fator dificultante, principalmente para o artista iniciante é o fato de grande parte do público consumidor de arte, ainda optar pelo consumo de “nomes”. Mas vejo com otimismo, novos tempos para a arte, embora pareça contraditório em relação ao momento, tempos de um despertar, uma renovação, onde se encontrará sensibilidade e busca em consumir beleza, harmonia, questionamento, alegria, aconchego e o que mais possa se encontrar contido na arte.

Qual o conselho que vc daria para alguém que está em início de carreira? Se vc conseguisse resumir todo o seu aprendizado ao longo da sua carreira, em uma, duas ou três sugestões que vc gostaria de ter recebido quando era mais jovem, quais seriam essas sugestões?

Seria pretensioso da minha parte oferecer um conselho. As situações vão variar de um artista para outro, vão existir particularidades, necessidades diferenciadas, percebi que não existe uma receita certa, mas acho essencial sentirmos que o trabalho possua sinceridade e honestidade, e em primeiro lugar seja bom, agradável e satisfatório para nós mesmos enquanto artistas. Que o trabalho sempre permita nos encontrarmos e nos compreendermos dentro do próprio processo. E, finalmente, perseverar sempre.

Onde mais vc quer chegar? Nos fale mais sobre seus projetos ou seus planos para o futuro.

Eu quero que a minha obra cada vez mais, chegue e faça bem aos olhos, aos corações e consequentemente a alma das pessoas, e seja de alguma forma uma contribuição no complexo cenário da vida. Como projetos, sempre busco por trabalhar ideias de propostas e temáticas que sejam interessantes para os ambientes culturais e expositivos diversos e também estou em processo de realizar um espaço físico para visibilidade e vazão para minha arte, espaço este na cidade de Belo Horizonte.

Conheça mais trabalhos do artista aqui.

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