Eulália Pessoa: "Entendi que o importante é apenas e exclusivamente o fazer artístico. Nada mai


Num primeiro momento, uma explosão intensa de formas e cores vibrantes, quase um convite para uma eterna festa é o que capta o olhar do expectador que se depara com a obra da artista Eulália Pessoa. Mas as cores fortes, os traços precisos, as texturas em recortes, em um olhar mais atento, não deixam a menor dúvida: cada trabalho da artista é, na verdade, um intrincado mosaico de imaginação, memórias e sentimentos que a artista “costura” cuidadosamente para resgatar sua história e sua essência, revelado em seu estilo.

Nascida no interior do sertão cearense, Eulália passou a morar com os tios em Teresina após o falecimento de sua mãe, com apenas 3 anos de idade. Desde muito cedo se interessou pelas Artes. Se formou em Nutrição e em Artes Visuais. Já teve suas obras expostas em Teresina, São Paulo, assim como nos países Áustria, Tailândia, China, Itália, República Dominicana.

A DOMI Galeria de Arte Online conseguiu conversar com a artista que nos contou mais sobre sua personalidade, sua arte, seus dilemas e seu planos para o futuro. Confira!

Quem é Eulália Pessoa? Nos conte um pouco sobre sua personalidade, seu jeito de ser enquanto artista e profissional das artes

Penso que em qualquer área criativa, a bagagem pessoal de cada um, é força motriz para sua obra. Seus sentimentos, emoções e experiências. E aí vão as alegrias, tristezas, conquistas, decepções, tudo. Coisas boas e coisas ruins. Eu transformei algo que a princípio é motivo de tristeza para a maioria das pessoas, que é o fato de ser órfã de mãe, em algo vibrante, colorido, imaginativo. Claro que para mim é uma experiência triste, mas o amor maternal que não tive me fez querer buscar algo mais positivo, mais feliz. Esse é meu compromisso com a arte, ser honesta e verdadeira com minhas emoções e transpô-las para as telas, de uma forma muito serena, tranquila e com uma boa dose de felicidade.

Como e quando a Arte entrou em sua vida?

Desde criança já mergulhava num mundo imaginativo com lápis e papel, como praticamente toda criança. Só que isso nunca me abandonou. Ou eu que nunca deixei isso escapar de minha vida. A leitura e admiração por livros e enciclopédias de artes também foram fundamentais nesse processo de descoberta que eu encontrava na biblioteca de casa. Sempre tive habilidades manuais um pouco acima das minhas irmãs. Sempre fiz tudo: costurava de roupas a bolsas, fazia minhas próprias bijuterias, na cozinha fazia de pratos salgados a bolos, mexia com madeira, argila e sempre desenhei. Mas me graduei na área de saúde e segui carreira como nutricionista. Após anos na profissão senti necessidade de lidar com meu lado criativo e fiz uma nova graduação em Artes Visuais e abandonei a profissão anterior e sigo pintando até hoje.

Em que consiste o seu trabalho artístico hoje?

Praticamente a pintura em tela é 95% do que faço e nelas expresso a tentativa de encontrar a figura de minha mãe, já que a perdi ainda criança e não tenho nenhum fragmento de memória da imagem dela. Ela está presente em 100% de minha série “Mulheres”. Sempre é ela. E ao mesmo tempo, são todas as mulheres desse mundo. As mulheres belas, cultas, trabalhadoras, corajosas. O que muda são as situações e motivos da pintura, como roupas, locais, etc. Essa será, talvez, uma busca sem previsão de algum encontro definitivo.

Por que escolheu a pintura como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influências e inspirações

O deslizar do pincel e da tinta numa tela me provocou uma atração muito forte. Apesar de ter experimentado diversas técnicas, como escultura em cerâmica, talha em madeira, xilogravura e grafite, o que realmente me conquistou foi a tinta sobre tela. Minha concentração ao pintar a grande quantidade de detalhes me transporta para outro lugar. Quanto mais detalhe, mais tempo pintando, mais eu gosto. Viajo e me encontro dentro dos meus traços e cores. É um lado romântico do ofício, em certa medida como era a vida de Modigliani, totalmente devotado à sua arte, repleta de amor, poesia e sofrimento. Sua reprodução constante da figura humana é uma característica também no meu trabalho. Assim como a exacerbação do detalhe e padrões era uma característica de Gustav Klimt, que admiro bastante e me aproprio e reproduzo também em minha obra.

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Quais foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Arte?

A arte tem sido muito generosa comigo. Tenho tido respostas e motivações bastante amigáveis do universo artístico e até mesmo inesperadas. Antes de todas as questões que envolvem “viver de arte”, o que mais me completa é a felicidade de ser artista e poder pintar o que pinto. A liberdade real e absoluta de fazer o que mais me realiza, que atende minhas necessidades vitais. Não busco reconhecimento nem sucesso financeiro com o que faço. Pintar me move para um caminho que gosto bastante, um caminho que não identifico com muita clareza, mas que me provoca as melhores sensações que já experimentei até hoje.

Nos conte um pouco sobre como está sendo seu período de isolamento social

Como moro já há algum tempo numa fazenda isolada com acesso totalmente limitado, minha rotina já era de distanciamento e de dedicação quase integral à pintura, que divido apenas com pequenas tarefas domésticas, como cozinhar e cuidar das minhas plantas. Tenho mantido o mesmo ritmo de pintar que é como uma necessidade diária, como beber água, me alimentar, dormir.

Com uma certa experiência de vida e experiência enquanto artista, quais vc diria que são as características ou atributos necessários para abraçar uma carreira em Artes?

Entendi que o importante é apenas e exclusivamente o fazer artístico. Nada mais importa. É manter-se em estado de fidelidade e honestidade com sua obra. As realizações financeiras, prestígio ou reconhecimento poderão surgir ou não, mas não são essas coisas que deveriam mover um artista. Eu vivo um pequeno dilema: se pudesse, não venderia nenhuma obra minha, ficaria com todas. Mas como iria guardá-las? Como pagaria minhas contas?

Que conselho que vc daria para alguém que está apenas começando no mundo das Artes?

Faça, faça e faça. Não deixe de fazer. Não pare. Não desista. Faça pra você e apenas você. Admire e critique seu próprio trabalho. Carregue paixão e honestidade na mesma medida.

Onde mais vc quer chegar? Me fale mais sobre seus projetos, seus planos ou mesmo sonhos

Quero pintar mais. Ter ainda muito tempo pela frente para pintar mais. Materializar toda minha imaginação em telas, tentar representar a memória de minha mãe das formas mais lindas que eu achar.

Conheça mais trabalhos da artista aqui

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