Silvia Pott: "A figura tem sempre um papel secundário, a cor ainda é a protagonista..."


Esse mês a DOMI teve o imenso prazer em conversar e conhecer um pouco mais a artista Silvia Pott, que mesmo tendo oportunidade de iniciar sua graduação em artes pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, entendeu que em seu processo criativo a liberdade era um elemento fundamental de sua produção artística e decidiu-se por seguir sua pesquisa fora das intituições. 

Falar de nós mesmos nunca é muito fácil, não é mesmo? Mas como você se descreveria para alguém que ainda não te conhece? Quem é Silvia Pott? Me fale um pouco sobre você, sua personalidade e de como a arte entrou em sua vida.


Na verdade sou uma pessoa muito comum. Sou casada e mãe de dois filhos. Sempre vivi com muita intensidade as alegrias e tristezas inerentes à condição humana e fui atraída por todos os tipos de arte com essa mesma intensidade, lembro-me de observar o mundo à minha volta como uma grande paleta de cores. Embora nem sempre tenha trabalhado nesta área, a arte sempre esteve presente em minha vida.

O que exatamente você faz ou em que consiste o seu trabalho artístico hoje em dia?


Hoje em dia trabalho com óleos, acrílicas, sobre tela ou papel, desenhos à grafite ou carvão e técnicas mistas. Embora ainda tenha alguns “insights” figurativos, é nos abstratos onde me expresso com maior paixão. A figura tem sempre um papel secundário, a cor ainda é a protagonista em todas as minhas pinturas. Por que escolheu a arte como forma de se expressar? Fale um pouco sobre suas influências e inspirações.


A arte me escolheu como uma interprete, o artista tem a sensibilidade de olhar os indivíduos enquanto únicos ou coletivos e também o dever de transmitir essa vivência para suas obras. Sejam elas para contestar ou emocionar.

Ao longo da vida vamos passando por diversas fases de amadurecimento. No início de minha carreira os impressionistas foram uma paixão e fonte de inspiração (ainda são) mas o processo de amadurecimento não pode ser detido.  E assim foi também com a minha arte, ela passou a ser mais livre, sem a preocupação com as linhas ou formas. Através das cores e texturas emocionar o observador, fazê-lo mergulhar no universo paralelo da obra é o grande desafio.

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Quais foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar com arte aqui no Brasil?


Acho que ser artista é sempre um desafio, no Brasil ou em outro pais qualquer, ainda mais numa época onde não havia redes sociais, e-mails ou fotografia digital. Para mim foi um longo caminho onde nem sempre a arte esteve em primeiro plano, muitas vezes a própria sobrevivência da arte exigia que ela fosse posta de lado. O grande desafio de se trabalhar com arte no Brasil é que uma grande parte da população não tem tradicionalmente o habito de comprar obras arte. Tenho visto nas redes sociais um grande empenho na divulgação dos artistas e suas obras como algo acessível à população e não restrito à uma classe alta.

Estamos vivendo tempos complicados com essa pandemia. Como tem sido para você enquanto artista, lidar com tudo isso e de que forma isso tem afetado sua produção artística e o seu processo criativo?


É impossível dizer que a produção ou o processo criativo não foi afetado por esses tempos turbulentos que temos vividos. O sentimento de medo, a insegurança quanto ao que está por vir, a tristeza do luto por tantas famílias que perderam seus entes queridos, tudo isso transparece no trabalho do artista uma vez que ele retrata a realidade em que ele vive. Não foi diferente no meu caso, me peguei muitas vezes olhando para a tela em branco sem conseguir definir o caminho a ser tomado.

Temos percebido que o mundo está cada vez mais acelerado e emconstante transformação. Muitos avanços tecnológicos e velocidade nos meios de comunicação. Dentro desse contexto, que conselho que você daria para alguém que está começando agora a desbravar um caminho em artes?


Eu diria para que aproveitasse ao máximo esta ferramenta que nos permite alcançar públicos do mundo todo com extrema rapidez. As redes sociais e galerias on line são extremamente democráticas, fotos e vídeos podem ser divulgados a partir de qualquer celular. E produza, muito, eu tive um mentor que dizia que uma obra era feita de 1% de inspiração e 99% de transpiração. Ele estava certo!

Onde mais você quer chegar? Me fale mais sobre seus projetos, seus planos ou mesmo sonhos, para esse finalzinho de 2020 e para os próximos anos que virão?


Bem, em 2020 foi impossível fazer ou concretizar quaisquer planos, foi um ano que ficou suspenso na linha do tempo. Para o futuro, pintar, pintar, pintar. Trazer emoção à vida das pessoas através da arte. É extremamente gratificante quando alguém gosta do nosso trabalho e valoriza todo o tempo e esforço que dedicamos a ele.

Para conhecer mais trabalhos da artista visite aqui.



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