Tom Miyasaka: "É através da arte que a gente enriquece nossa mente e aperfeiçoa nossa alma."

 

Filho de imigrantes japonêses, Tom Miyasaka, esse artista brasileiro de 62 anos, é formado em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado, e trabalhou a maior parte de sua vida adulta em projetos de Comunicação Visual e Design Gráfico.

 

Artista plástico tardio, suas primeiras obras começam a datar de 2006, uma vez que toda a experiência adquirida no período do Design, foi lhe encaminhando naturalmente para a pintura digital.

Com seus trabalhos  selecionados em duas oportunidades no 3º e 4º Salão de Outono da América Latina e ainda 3 participações com outros 6 trabalhos no Grande Salão de Arte Bunkyo, inclusive recebendo Medalha de Ouro na categoria Arte Contemporânea em 2015, Tom Miyasaka vem traçando com determinação seu caminho nas Artes.

 

Confira abaixo o delicioso bate-papo que tivemos com ele..

 

 

Quem é Tom Miyasaka? Para aqueles que ainda não te conhecem, como você descreveria sua personalidade, seu jeito de ser?

 

Sou o resultado do conhecimento que acumulei até o momento e dos sentimentos que compartilhei com as pessoas com quem me relacionei. Estou sempre aberto a conhecer ideias e opiniões que divergem das minhas ou que mostram o outro lado das questões porque conhecer as coisas em sua complexidade é muito mais enriquecedor, mais verdadeiro. Ao contrário de uma visão simplista e unilateral que é reducionista e geralmente incompleta.

 

 

Nos conte como a Arte entrou em sua vida ou como você entrou para as artes?

 

Na casa onde eu cresci, tinha uma pintura, um pequeno quadro que meu pai comprou quando ele ainda era jovem. Era uma paisagem com um lago, uma casinha na margem, araucárias e montanhas ao fundo. Ficava observando esse quadro, as pinceladas. Também ví muitas imagens de arte japonesa em nanquim. E tinha um livro da Divina Comédia do Dante com ilustrações do Gustave Doré. Admirava aquilo tudo e aquilo me motivou a desenhar. Tudo isso foi despertando em mim o interesse pela Arte, não só as artes plásticas, mas todas as formas de arte. Daí, fazer mais tarde escola de arte foi um caminho natural.

 

 

O que é arte para você?

 

Não saberia definir. Sinto que a arte amplifica a percepção que a gente tem do mundo. Isso acontece através da nossa apreciação das diferentes linguagens que os artistas se utilizam pra se manifestar e comunicar suas visões de mundo. Algumas dessas linguagens, como a música, por exemplo, são mais universais, outras dialogam com públicos menores. Tem arte de todo tipo e pra todo mundo. Pra mim, é através da arte que a gente enriquece nossa mente e aperfeiçoa nossa alma.

 

 

Por que escolheu a arte digital combinada com a pintura como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influências e inspirações

 

Nem sempre trabalhei com arte. Depois da faculdade de artes, fui trabalhar com publicidade e comunicação visual onde utilizava ferramentas digitais pra produzir o meu trabalho. Anos mais tarde, quando comecei a criar meus primeiros trabalhos, utilizar as ferramentas digitais que eu já dominava foi uma escolha natural.

Tem muita gente que influenciou o meu trabalho. Diferentes artistas em diferentes fases da minha vida. Joán Miró, Jackson Pollock, Rauschemberg, Tomie Ohtake, Rothko, Andy Warhol, Henri Moore, Jean Arp, Mondrian, entre tantos outros. Gosto muito dos caras que fazem arte Wabi Sabi. E tem também uma 'pá' de artistas de outras áreas como da música e da literatura que influenciaram profundamente a minha formação.

 

 

Em que consiste seu trabalho hoje?

 

Apesar de trabalhar com arte digital, sinto-me como um pintor, só que as ferramentas que utilizo não são a tinta e o pincel. Vou pro computador e começo a "pintar". Escolho alguma forma que tenha uma plasticidade que me atraia, que seja instigante, rica nos detalhes ou nas texturas e tenho aí um tema para o quadro. O trabalho é quase sempre o resultado de um processo de acrescentar "pinceladas" (como na pintura convencional) e editar formas, cores, luzes e texturas buscando encontrar um equilíbrio ou um encontro entre a organicidade das formas e uma racionalidade mais cartesiana. Nunca sei de antemão qual será o resultado final e muitas vezes o mote original se dilui ou se transforma ao longo desse processo de criação. Gosto de pensar que é meio como no jazz.

 

 

Como a pandemia e a questão do isolamento social afetaram o seu processo criativo?

 

Não afetaram meu processo criativo. O isolamento subverteu de maneira radical o cotidiano de todo mundo e, se não bastasse a tragédia em sí, aqui no Brasil a gente ainda tem que lidar com questões políticas sérias. A pandemia me afeta como pessoa e como cidadão. Fico alarmado, paranóico, inseguro, revoltado, mas não afeta meu trabalho criativo. Talvez porque ele seja essencialmente abstrato. Imagino que artistas figurativos devem se sentir meio compelidos a contextualizar suas criações a esse momento que estamos vivendo.

 

 

Quais vc diria que foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Arte?

 

Preciso que mais pessoas conheçam meu trabalho. Acho que preciso estar mais presente nas redes sociais e divulgar meu trabalho.

 

Considerando o seu caminho ou sua carreira até aqui, quais você diria que são as características ou atributos fundamentais que um artista precisa desenvolver?

Acho que o artista tem que ter a mente aberta, ser ávido por conhecimento e se desenvolver tecnicamente.

 

 

Que dicas você daria para alguém que está apenas começando a dar os primeiros passos no mundo das Artes?

 

Acho que cada artista precisa descobrir seu próprio caminho. Ele não tem que saber de cara aonde pretende chegar, mas deve seguir seu instinto e escolher a direção que quer seguir. E por a mão na massa. A gente logo descobre que o fazer é um processo aberto que vai revelando conhecimentos que a intenção original não tinha como supor. Ao mesmo tempo, ver tudo o que puder, ler tudo o que puder, conhecer e abraçar o universo de conhecimento que pavimenta esse caminho. Ele então começa a entender porque se identifica e sente empatia por determinadas visões de arte, determinados artistas, determinadas obras, ou seja, vai descobrindo em que lugar se situa. Acho que é assim, o cara começa a pensar arte e a se tornar um artista. 

 

 

Onde mais você quer chegar? Nos fale mais sobre seus planos, sonhos ou projetos para o futuro

 

O que mais quero é continuar criando e evoluindo. Acho que isso já vem sendo realizado, então o que desejo agora e pro meu futuro é disseminar meu trabalho pra mais gente.

 

Para conhecer os trabalhos do artista visite aqui

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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